NOSSOS MESTRES

 

Nosso trabalho é orientado  pelos Grandes Mestres do oriente e ocidente. Graças a esses Grandes Seres, o yoga e todo o conhecimento terapêutico utilizado em nosso núcleo se tornou possível. Reverenciamos a todos eles e agradecemos sempre por toda direção, proteção e ajuda recebidos diariamente.  Estes são os Grandes Mestres que norteiam nosso trabalho: 

 

NIZIER ANTHELME PHILIPPE
MESTRE PHILIPPE DE LYON

 

  MESTRE PHILIPPE DE LYON

NIZIER ANTHELME PHILIPPE, mais conhecido como Mestre Philippe de Lyon, foi a figura mais cativante, entre os grandes Mestres do Ocultismo do Século XIX. Era uma pessoa simples, de média estatura, que acumulava inúmeras atividades relacionadas com a iniciação, medicina e sessões de orações e de curas. Ainda lhe sobrava tempo para confeccionar seus próprios instrumentos de trabalho, bem como os utensílios utilizados em seu laboratório. Dormia pouco, mas jamais mostrava-se cansado.

O Mestre Philippe pregava a reencarnação a todos os que presenciavam suas sessões de cura. Dizia ele que a dor presente era o resultado de dívidas contraídas com seu semelhante nesta existência ou em encarnações passadas. É a lei do Karma. Ninguém, dizia ele, arrancará um fio de cabelo de seu próximo que não seja obrigado a pagar. O sofrimento vem a ser uma maneira do homem tornar-se melhor e mais consciente da espiritualidade.

Mas a atividade do Mestre não se reduzia apenas em curar e pregar para as pessoas simples que participavam das reuniões de curas e de orações. Ele possuía um auditório mais reduzido, composto por discípulos selecionados, onde ele explicava a Divindade do Cristo, os mistérios da vida e da morte, os dogmas sobre o Espírito Santo, a Criação, sobre os Anjos, e os demais espíritos, os demônios, os clichês, os mundos, a astrologia, a alma humana e a iniciação em geral.

Sua filosofia não diferia da dos grandes Mestres do Ocultismo Ocidental e seu livro texto eram os Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seus ensinamentos sobre os clichês, por exemplo, explicavam porque não se deve falar mal do próximo e qual era o papel fundamental da oração e da prática da caridade. Os clichês nascem antes dos fenômenos. O homem, antes de criar, encontra. As idéias existem antes dos fatos. Elas estão no ar. Essas idéias ou clichês podem ser criados pelos homens ou pelos seres que habitam o invisível, em todos os planos.
O clichê é inteligente, ele é pensamento e está em todos os lugares. Ele aparece ao homem atrás de sua cabeça, na altura do cerebelo. O desenvolvimento da intuição permite a distinção entre o clichê bom e o clichê mau. Os clichês atuam sobre o homem e o induz a praticar uma ação. Quando pela sua vontade o homem repele um clichê, os fenômenos não acontecem. Quando imagina um fato bom ele acaba por acontecer, pois cria um clichê; o mesmo raciocínio é válido para os maus pensamentos: ao falar mal de seu semelhante, o homem estará prejudicando a si próprio, assim como a um terceiro, pela criação de um clichê. Esse clichê agirá sobre as demais pessoas e, após, sobre seu próprio criador.

“A alma é a vida do espírito, o pão do espírito. Ela é uma centelha divina; devemos fazê-la crescer. É necessário que ela se torne um sol em nós. Nossa alma cresce quando progredimos no caminho do bem.

“Quando Deus lançou as almas na matéria, Ele deu a cada uma delas um caminho a percorrer, dizendo-lhes: “Eis o caminho que deveis seguir: desbastai-o e tornai-o livre, pois o Senhor por aí deverá passar”. Se soubéssemos o significado dessas parábolas, nos senti-ríamos possuídos por um imenso orgulho. Tal caminho está cercado, a cada passo, por inúmeras provas impostas por Deus às almas. Essas provas diferem segundo os caminhos.

“Ninguém poderá subir ao Céu se não tiver o conhecimento de tudo. Porém, avançando por nossa vontade esse conhecimento nos será dado quando chegarmos a amar nossos semelhantes como a nós mesmos”.

O próprio Mestre Philippe sofreu imensamente em sua vida. A morte de sua filha em 1904 causou-lhe muita tristeza. Ela ficou doente em agosto desse ano; seus familiares pediram-lhe que a curasse mas ele recusou, dizendo que era preciso que ela partisse para preparar o terreno, pois ele próprio deveria desencarnar em breve. ”
O Mestre Philippe preparou seus amigos com bastante antecedência à cerca de sua morte. Eu devo partir, vocês não me irão ver, mas lhes deixo o Caporal” (Jean Chapas). A partir de fevereiro de 1905 ele não saia mais de casa. Não podendo deitar-se, passava as noites em uma poltrona. Sofria de falta de ar e de dores agudas no coração. Seu genro, o Doutor Lalande examinava com freqüência e não encontrava nada nenhuma doença.

Na manhã do dia 2 de agosto de 1905, ocasião em que a sogra e o genro estavam olhando no jardim através da vidraça e no momento em que a esposa tinha ido até à cozinha, Philippe levantou de sua poltrona, deu alguns passos dentro do quarto e caiu. Sua alma abandonou o plano físico e ganhou as alturas das Regiões Celestes.

Até hoje, quando relembram seu nome e quando evocam sua obra, ele desce aos planos inferiores do Invisível e dela nos envia suas celestes influências, encorajando todos a seguirem a senda iniciática e espargindo suas luzes para o bem da humanidade.

 

 

 

ALBERT RAYMOND COSTET  – Conde de Mascheville
MESTRE CEDAIOR

 

 

 COSTET_Conde de Mascheville

Albert Raymond Costet – Conde de Mascheville, aliás CEDAIOR, como viria a ser conhecido no meio iniciático. Nasceu em Valence, na França em 1º de setembro de 1872. Aos treze anos deixou sua terra natal para estudar no Conservatório de Paris e continuar seus estudos de violino. Nesta ida à Paris permaneceu alguns dias em Lyon onde teve a felicidade de conhecer  Mestre Philippe.

Foi iniciado em 1892 por Ivon Leloup – SEDIR. Tornou-se, pouco após, Mestre de Cerimônias da “Loja Martinista Hermanubis” que era presidida por Sédir e na qual se estudava especialmente a Tradição Oriental. Em 1893 já era S.I. e Gnóstico. Em 1894 fora consagrado Bispo pelo próprio Patriarca da Igreja Gnóstica: Jules Doinel – VALENTINIUS.


Junto com seu iniciador, CEDAIOR – SDR/2-H, realizou uma quantidade de experiências de psicometria e se dedicou, nos anos de 1889 até 1909 a Maçonaria, Martinismo e ao Orientalismo

Inspirado pela profecia de seu Mestre espiritual Valentinius que disse: “Tudo o que fazes na França é apenas preparatório para ti. A tua missão pessoal é do outro lado do mar. Nada mais és para o velho mundo!”, Cedaior juntamente com sua esposa e seu filho decide dar um novo rumo a sua caminhada iniciática.


Desembarcam em 26 de fevereiro 1910 em Buenos Aires, Argentina, trazendo consigo apenas sua “bagagem” intelectual. É importante destacar que na época Cedaior já era Doutor em Kabbala, pela Ordem Kabbalística da Rosa Cruz.

O trabalho de divulgação do Martinismo é então, muito difícil e rende poucos frutos, apesar do contato travado por Cedaior com os maçons do sul do continente. Na Argentina funda a Igreja Expectrante em 17 de agosto de 1919.

É devido a grande amizade desenvolvida com uma brasileira, Sra. Ida Hoffmann, que Cedaior decide investir seu trabalho no Brasil. Em 1923, chega finalmente ao Brasil, indo inicialmente morar em um sítio de propriedade da Sra. Ida Hoffmann, aliás PEREGRINA, na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina. Ida Hoffmann era iniciada de Theodor Reuss, o alemão que era Grão Mestre do Rito Antigo e Primitivo de Menphis-Misraim e chefe da O.T.O. – Ordo Templi Orientalis.

Em 1936 Cedaior muda-se novamente. Vai residir em São Paulo, junto aos Martinistas desta cidade. Todavia, devido a sua idade, transfere a direção da Ordem ao seu filho Léo de Mascheville (Jehel).


É necessário que se faça aqui uma ressalva. Apesar de tudo o que aprendemos tradicionalmente de boca-a-ouvido, é preciso reconhecer que a grande expansão realizada no Martinismo na América do Sul se deve ao trabalho de Léo de Mascheville.
Até o ano de 1936, o Martinismo no Brasil se expandia de maneira tímida, de homem-a-homem, com poucas lojas estabelecidas, sem um órgão central.

A Ordem Martinista da América do Sul recebeu também influência do Martinismo do Chile através de Leon Tournier (Grupo Bethel), que era iniciado de Papus, mas tinha Carta Constitutiva emanada do Martinismo Lyonês.

Paralelamente funcionam ainda a “Igreja Gnóstica” e o “Suddha Dharma Mandalam”, que era uma escola de filosofia Hindu, que chegou ao Brasil via Chile e que propagava as práticas das diversas linhas de Yoga.

Em 22 de janeiro de 1943, em Porto Alegre, falece CEDAIOR Este trabalho de expansão pode ser confirmado pelo bom número de “Grupos de Estudo” em funcionamento, bem como um grande número de Iniciados. Em 29 de outubro de 1944, (em plena II Grande Guerra) é concedida a Carta Constitutiva nº 23 ao “Grupo de Estudos Mahasaya” e apenas um dos Iniciadores atingia a cifra de 155 iniciados.  

 

 

 

LEO ALVARES DE MASCHEVILLE
SRI  SEVANANDA SWAMI

 

 SRI  SEVANANDA SWAMI

 Adaptado do original de Swami Sarvanãnda

 

Nasceu em 22 de março de 1901, em Paris, França. Desde a sua infância, foi um superdotado, apresentando características excepcionais de comportamento. Foi um forte, no agir e no sentir, sempre marcado pela paixão do coração. Adolescente ainda obtém permissão para ingressar aos estudos superiores, matriculando-se na Faculdade de Química, o que o conduziu à alquimia, reminiscência do passado.

 

Caráter “sem temor nem censura”, foi discípulo de seu próprio Pai e Mestre, Cedaior, aprendendo Astrologia, Astrosofia, Martinismo e Hermetismo, ajudando-o nas suas pesquisas de Astrometeorologia e Astrosismolgia, na qual sempre acertava por antecedência.

 

Aos vinte e três anos de vida, iniciou suas pesquisas com Yoga e Meditação, orientado pela intuição e com a ajuda dos conhecimentos obtidos de um yogue Alemão, com o qual andou durante meses, atravessando o Pampa Argentino, à pé.

No final de 1924 , chega ao Brasil , após uma estadia de anos na Europa, onde além de prestar serviço militar na França , recebeu do pai a missão de observar o estado da Ordem Martinista e Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix na Europa. No final da década de 20 a família muda-se para Curitiba onde Leo, conhecido como “Jehel” nos meios martinistas e mais tarde como Sri Sevânanda Swami, insiste na revivificação da Ordem Martinista.

Aqui no Brasil, teve diversas atividades, entre as quais se destacam a de agrimensor e gerente de circo ambulante; em um galpão alugado instalou uma fábrica de “lubrificantes de automóveis”, da qual era: Gerente-diretor, comprador de  matéria prima, químico responsável, operário que fazia o trabalho de produção e embalagem e finalmente, vendedor representante vestido de terno, até que um dia a fábrica pegou fogo. Nunca se apegou às posses materiais desfazendo-se, quando era preciso, de tudo por “preço de banana”, para recomeçar tudo de novo. Mas sempre rigoroso e honesto com as finanças.

Estudou Kabala, Krishnamurti, aprendeu a magia cerimonial e a Alquimia, estudou Martinismo, yoga e era um Astrólogo exímio. O dom da palavra lhe fluía elegantemente dos lábios e gostava de um bom copo de vinho, como bom francês que era. Tinha excelente humor, respeitava as gestantes que, para ele, estavam “perto do Pai”, pois doadoras de via. Mas seus olhos sabiam faiscar, quando necessário.

Foi membro de diversas ordens e fraternidades ocultas do Oriente e Ocidente.

Sri Sevânanda passa a trabalhar junto à nova companheira, SÁDHANA, mais apta para a sua nova etapa de ação e de iniciador. Encerra as atividades no GIDEE, liquida o passado e vendem as posses de SÃDHANA para adquirir um trailer e um jipe. Veio um Senhor de idade para lhe entregar um pequeno baú que continha o acervo cerimonial, intelectual e místico de uma antiga e venerável sociedade dos Himalaias, o SUDDHA DHARMA MANDALAN. Podo-o em contato com seu “iniciador externo”, o Guru Subrahmanyananda, de quem recebe iniciação e ordenação como membro da Ordem dos Swamis de Sri Sankaracharya, com o nome de “Sevãnanda”. Foi incumbido, pelo mesmo Guru, a assumir a função de “Iniciador Externo” e de ser seu sucessor no Suddha Dharma.

Ainda em Motevidéu, fundou a Associação Mística Ocidental”, sob a direção do Mestre PHILIPPE, escola que se tornou um centro de União de correntes espirituais: Essêncios, Suddha DharmaMandalan, Ritos Egípicios de Osíres, Ramakrishna Ashrama, Krya Yoga, Yoga Ashrama, Comunidade Sufi, Satyaauraha Ashrama, Ordem Martinista, Maitreya Mahasangah, Ordem Cabalística Rosa e Crucis, Departamento do Verbo, Zem Boddhi Dharm, Igreja Expectante, com contatos com os representantes de quase todas as correntes.

Escreveu o livro “Yo que caminé por el mundo”, o qual contém a síntese de sua doutrina pessoal, reeditado em português por seus discípulos no Brasil, mais tarde.

Em junho de 1952, partem Sevânanda e Sãdhana, dirigindo o jipe a puxar a “Ermida do Serviço”, rumo norte a atravessar o Uruguai e o Brasil, parando em todas as cidades e dando palestras públicas, sob o Lema “O Sacrifício de Jesus e de Gandhi nos unem a todos”.

No final de 1953 chegam a Resende-RJ, onde ganham um terreno de 12 hectares e instalam o “Monastério Amo-Pax”, Asharam de Sarva Yoga e Mosteiro Essênio. Inaugurando numa singela cerimônia na meia noite do dia 19/20 de novembro de 1953, sob insistente chuva, perante 22 presentes e um cão. O livro, contendo a Doutrina, torna-se o esteio dos ensinamentos ao novo trabalho iniciático.

Os primeiros meses foram difíceis e de intenso trabalho, quase sem apoio algum, ao instalar uma necessária infra-estrutura material de sobrevivência. Mas novos Discípulos se apresentaram como candidatos a residentes, e  assim a comunidade cresceu. A “Associação Mística Ocidental” serve de Via para a preparação interior e a correspondência com diversos representantes das correntes que constituem  a associação do Oriente  e do Ocidente, se instala, notadamente com o Mahatma Gandhi, que nomeia Sri Sevânanda seu representante para o Brasil,  com Discípulos do Mestre Philippe da  Europa e com Paramahansa Yogananda, assim como  Lobsang Rampa, que naquele tempo se encontrava na Inglaterra.

O Ashram se torna conhecido no Brasil Inteiro, e visitantes começam a chegar também do exterior. Jocosamente o Mestre se refere ao Ashram cmo a um “restaurante  onde cada um dos residentes recebe alimento que lhe agrada…, mas pena que não sabem comer!”

No Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro, Sri Sevânanda anuncia, perante mais de 1500 pessoas, convidadas , a criação da “Ordem dos Sarvas Swamis”, que mais tarde ele mesmo comenta assim: “O continente Latino-Americano possivelmente ainda nãp percebeu a real importância que há de ter um dia, por todos esses países, aquela proclamação de Sarva Yoga e da Ordem dos Sarvas Swami”. Era no dia do Maître Philippe, 2 de agosto de 1954.

Os dias são longos no Ashram, começam às 4 da madrugada e terminam, após ininterrupto trabalho, às 21 horas, ou mais tarde ainda, com direito a um hora de sono a mais aos domingos. O aprendizado é vigoroso sob a atenção de quem sabe o que faz; treinamentos  da Via de Gurdjeiff se revezam com as práticas do Mestre Philippe e do Suddha Dharma, com treinamentos e práticas Martinistas e danças dos Derviches sufis e exercícios de Budismo Zen.

Com algumas vocações que se destacam, e que constituem a continuação viva de sua via de ensinamentos, o Ashram de Resende encerra suas atividades em junho de 1961. Os Residentes se dispersam, e um pequeno grupo segue com o Mestre para-a cidade de Lajes-SC, onde é fundado o “Retiro Alba Lucis”, em um sítio de Discípulos. Terminada esta etapa cíclica septenária com a principal missão cumprida: o prolongamento da Obra por meio de alguns poucos, homens e mulheres por ele preparados, para prosseguir. Foi em Lajes onde o Mestre escreveu sua principal obra, “O Mestre Philippe, de Lyon”, em quatro volumes, que hoje é considerado uma obra rara.
Terminada esta tarefa (edição dos quatro volumes), o Mestre transfere sua vida para a cidade de Belo Horizonte, onde é fechado o circulo cíclico de sua vida, passando a se ocupar com alguns dos seus mais próximos e sobrevivendo materialmente com a venda de apólices de seguro e da importação de objetos ornamentais, trazidos da Argentina.

 Numa pequena chácarazinha, a vinte minutos de Belo Horizonte, viveu seus últimos dois anos, sob os cuidados de sua Enfermeira, Anjo Guardião e fiel Discípula Sévaki. Sua saúde se alterou rapidamente; o Mestre não mais recebia visitas, excetuando alguns poucos Discípulos.
As últimas semanas foram de grande sofrimento, a sua doença avançando rapidamente. Durante este breve tempo, o Mestre fez, certamente, a síntese de sua vida, se preparando para a partida.

No leito do Hospital N. Sra do Carmo, em Betim, fez a transferência Iniciática  para seu fiel e amado discípulo “Sarvananda”. Na madrugada seguinte  tendo ao seu lado “Sévaki,  dia 6 de  novembro    de  1970, o mestre deixa esse plano.

A simples lápide, de cor cinza-clara, aí está, no velho cemitério de Betim, rodeado do silêncio que tanto amou. Entretanto sua presença continua forte e ativa, mais poderosa do que em vida, nos corações dos que foram transformados pelos seus ensinamentos. Ensinamentos que estão começando a brotar como flores de luz, em milhares, por meio de suas palavras escritas.

 

 

 

 

  MÃEZINHA SÁDHANÃ

 

 

 

 

 

Mãezinha Sádhanã nasceu na Alemanha, em 23 de dezembro de 1905. Em 1936 deixou o continente europeu e se instalou no Uruguai, de onde veio para o Brasil, juntamente com o Mestre Sevânanda, como companheira espiritual. Ao lado do mestre desenvolveu trabalhos  valiosos no campo da transformação do ser humano. Atuou ativamente na vida do Monastério de Resende e após o encerramento das atividades com intensidade , lucidez e devoção.

Viveu em Betim, Minas Gerais, por muitas décadas até o seu falecimento, 9 de janeiro de 2005, num ambiente de muita  serenidade, junto a pessoas que cuidavam dela com dedicação e carinho, entre elas o fiel discípulo “Bhaktidasa”.

Após uma existência em que somente procurou o auto-aperfeiçoamento, Mãezinha renunciou a tudo, por amor ao trabalho espiritual, a Deus e ao ser humano.

Vivendo na fé inabalável dos ensinamentos e na entrega ao seu Mestre Espiritual, nada a fez mais feliz do que estar cercada por pessoas amigas, especialmente aquelas que estavam em busca de um conselho, um consolo, um apoio, um estímulo. E todos conseguiam a resposta, a ajuda necessária, mesmo para os problemas considerados quase insolúveis.

Servir , ser útil até o último alento foi a sua meta, e  foi com esta finalidade que estimulou, acompanhou e dirigiu grupos de meditação por muitos anos, em Belo Horizonte-MG.

Orientadora excepcional, percorreu todo o Brasil em conferências e palestras, visando especialmente o aconselhamento de casais e à causa da educação dos adolescentes.

Atuou também como escritora, são de sua autoria os livros: “Coma Bem e Viva Melhor”, “A Felicidade no Matrimônio e a Culpa da Mulher no seu  Fracasso” e “Sabedoria da Vida”, com quatro edições.

Ligada profundamente à natureza e a seus seres, emocionava-se ao alimentar os animaizinhos, a cuidar das plantas de seu jardim, ao ouvir o canto dos pássaros…

Dedicou-se, portanto, há mais de 30 anos, à alegria do servir desinteressado. À indicação do correto caminho a percorrer, à gratidão sem limites por tudo o que lhe era concedido, a caminhar confiante na proteção e ajuda dos Mestres e Seres celestiais. Deixando-nos esse valioso exemplo e incalculáveis ensinamentos.

Enfim , irradiar a Paz, transmitir a luz, e apesar disto, nunca falar de sua vida pessoal, nem de seu Nome Oficial. Para todos e para sempre tão somente  “ MÃEZINHA”.

 

 

 

GEORG KRITIKÓS

SWAMI SARVANANDA

 

 SWAMI SARVANANDA

Muitos em Minas Gerais e no Brasil, já ouviram falar nesse nome, outros tantos tiveram a alegria de conhece-lo pessoalmente. Quem praticou ou pratica yoga em Belo Horizonte, deve muito a esse Mestre, pois ele foi o pioneiro na capital mineira.

Nasceu em 22 de junho de 1922, na terra de Saint Germain, a Transilvânia (hoje Romênia), filho de pai grego e mãe romena. Seu número pessoal era o 7 e seu número de apoio 22.

Aos 22 meses sofreu pneumonia dupla, tendo sido desenganado pelos médicos. Naquele momento recebeu a visita de um Mestre que condicionou a continuação de sua vida à promessa de dedica-la aos seus semelhantes, ele aceitou e obteve a cura.
A facilidade das línguas herdada do pai, permitiu falar três idiomas usados na região: romeno, húngaro e o alemão, o que o ajudou a se adaptar mais facilmente aos países pelos quais passou e viveu.
Logo depois da Segunda Guerra, foi trazido pela tia materna para o Uruguai, onde se reencontrou com seu Mestre e amigo, Sri Sevananda Swami, tornando-se seu discípulo e recebendo dele a iniciação transmitida pelo adepto egípcio RA MAK HOTEP.
Em 7 de dezembro de 1953, ingressou no Ashram de Rezende, RJ, como residente número 7. Em 22 de junho de 1957, foi ordenado membro dos swamis de SRI SHANKARACHARYA, por seu mestre. Na ocasião recebeu a bengala dos sanyasins sarvas e recebeu o nome místico de SWAMI SARVANANDA.

Em 7 de dezembro do mesmo ano, foi unido em matrimonio “dentro do serviço”, com a residente Daya.
Em 20 de setembro de 1958 foi escolhido por Sri Sevananda como seu sucessor e sarvayogacharya da Ordem dos Sarvas Swamis
Em 1958, fundaram, Sarvananda e Daya, sob a orientação do seu mestre, o Instituto Juvenil de Yoga, dentro das terras do Ashram de Rezende, onde passaram a cuidar e educar crianças abandonadas, até o fim das atividades do mesmo em 1960.
Com o fim do Ashram, Sarvananda veio para Minas Gerais com a sua família e com uma rica bagagem de estudos, treinamentos e experiências em Sarva Yoga.
Instala em Belo Horizonte no ano de 1960, o primeiro Núcleo de Yoga Integral e o Instituto Arjuna de Yogaterapia, inicialmente na Rua Tupinambás e um ano depois se transfere para a Rua Goitacazes 43, onde permaneceu até 1996.
Ao longo desses 36 anos dedicados ao yoga em Minas, desenvolveu várias pesquisas em yogaterapia, beneficiando inúmeras pessoas, inclusive dependentes de drogas.

Formou várias turmas de professores de yoga, muitos deles continuam em atividade atualmente espalhados pelo Brasil.
A convite do professor Daniel Antipoff e sua esposa Dª Otília Antipoff, assumiu a tarefa de preparar e orientar professoras de yoga na área de recuperação de excepcionais, dentro do Instituto de Psicologia Aplicada de Minas Gerais (IPAMIG), com excelentes resultados, durante o período de 1960 a 1966.
Aos 51 anos, em fins de 1973, viajou em peregrinação à Índia, reencontrando em Benares e Sarnath, seu próprio passado. Em Calcutá teve a revelação do rumo de sua vida, assumindo assim um novo posicionamento interior.
Continuando sua viagem, partiu para o Japão, onde fez estágio no Zen Yoga Dojo, do sensei Oki Masahiro, recebendo valiosos baseamentos do sensei, que o nomeou seu representante no Brasil.

De volta ao Brasil, em março de 1974, iniciou imediatamente as pesquisas e práticas do que bem mais tarde se transformou no TB – Trabalho Básico. No TB ele reuniu a experiência do Ashram de Rezende com Sri Sevananda, as técnicas e filosofias de G.I.Gurdjieff e os subsídios trazidos do Dojo, do sensei Oki Masahiro. De tudo isso resultou um método poderoso de impulsionar os interessados a se colocarem frente a frente a si mesmos, para uma maior autoconsciência e aspiração transcendental.
Em 1975 fundou, próximo a Belo Horizonte, a Comunidade Rural e Alternativa Mãe D´água, reconhecida como de utilidade pública estadual e registrada como Refúgio de animais silvestres e Reserva Biológica, no INCRA.

Desenvolveu na Mãe D´água, junto aos companheiros e residentes, atividades diversas como agricultura, horticultura e fruticultura naturais. Muitos dependentes de drogas e álcool foram completamente recuperados com a vida rigorosa e sadia que se levava na Mãe D´água, onde os residentes recebiam instrução de Sarva Yoga e técnicas de meditação, na tentativa de neles instalar um maior teor de autoconsciência. A Mãe D´água fechou suas portas em meados de 1986.
Em fins de 1987 e por convite, transfere-se com a família para Curitiba, onde instalou, na Faculdade de Ciências Biopsíquicas da Fundação Espírita, um Núcleo de Formação de Sarva Yoga.

Retornando a Belo Horizonte, em junho de 1991, o TB – Trabalho Básico, foi instalado com vigor, tendo como conseqüência o ingresso de membros na OSA, entre os quais alguns Cavaleiros, representando a ala ocidental, e a ordenação de dois swamis, sua esposa, Swamini Daya e o jovem Satyananda.
Em 1993 organizou o I Congresso de Yoga em Belo Horizonte.
Participou de muitos congressos no Brasil e no exterior, com atuações muito marcantes.

Ministrava aulas de yoga de uma forma bastante yang, daí os resultados terapêuticos conseguidos. Dava muita relevância à busca do silencio mental, sendo isto a marca, o diferencial da Escola Sarva.
Severo, enérgico e sério, quando necessário, possuía o dom da gratidão. Era comum manifestar do fundo do coração, uma imensa gratidão por um simples ou pequeno fato, ato ou palavra recebida.

Mas o destino reserva surpresas… No início de 1999, após intensa atividade com seu trabalho, Sarvananda é levado ao médico por sua filha, e este prescreve cirurgia cardíaca (safena). No final de março é feita a cirurgia e, para grande surpresa de todos e principalmente dos médicos, surgiram complicações e após 21 dias, a maior parte deles com muito sofrimento na UTI do Hospital Cajuru, em Curitiba, deixou o corpo físico às 02:15 horas do dia 18 de Abril de 1999.
Assim terminava uma vida carregada de intensidade e intrepidez, inteiramente dedicada ao próprio aprimoramento e ao desenvolvimento do ser humano, fiel à promessa que fizera no seu segundo ano de vida.
Em 18 de março de 2000, aconteceu o lançamento de sua obra póstuma “Memórias (1922-1960)”, no Museu Histórico Abílio Barreto, confirmando assim sua participação na história de Belo Horizonte.

Sarvananda publicou os seguintes livros:
-Yoga para Crianças, excelente guia para professores de yoga que desejam trabalhar com crianças;
-Yoga em Casa, um guia perfeito para professores e pessoas que em algum momento não podem freqüentar uma escola; e
– Androgonia (O que o homem é), indispensável a todos que querem embasar seus conhecimentos rumo a autorealização.

Palavras do Mestre Sarvananda:

“Yoga é um modo de ser interior e somente sente quem o vive intensamente”.

“A verdadeira imortalidade se encontra na vida interior.”

“Sem a prática da meditação (Dhyana), não há realização, e sem o silêncio interior não há meditação.”

“O tempo real é medido pela intensidade”.

“Evoluir é viver intensamente, e a base dessa evolução está no coração .”

“Harmonia é Ser e não Ter, portanto, é um estado abstrato do homem.”

“O silêncio representa a paz: física, dos pensamentos e das ações”.
Onde há silêncio, há paz: lá está Deus “.

 

 

sarvananda

 

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